“ÓBIDOS TEM TODAS AS CONDIÇÕES PARA SER UM EXEMPLO NACIONAL NO ENSINO BILINGUE”

Miguel Arellano, especialista em ensino bilingue, esteve em Óbidos a 30 de Janeiro para apresentar as suas experiências das escolas bilingues em Espanha e afirmou que o concelho obidense tem todas as condições necessárias para ser um exemplo nacional no ensino bilingue.

Miguel Ángel Milán Arellano, licenciado em Filologia Inglesa, é professor de carreira de Inglês do ensino secundário em Espanha, mas actualmente dá aulas desta língua no Magistério de Albacete e é assessor linguístico de vários programas europeus (Language and European Programmes Advisor – Centro de Professores de Almansa).

A sua especialidade é o Inglês como língua estrangeira e como segunda língua, tendo trabalhado na área do ensino bilingue em vários países.

RAE: Há quantos anos está implementado o ensino bilingue em Castilla-La Mancha?

Miguel Ángel Milán Arellano: As aulas bilingues estão implementadas em Castilla-La Mancha desde 2005 para a Educação de Infância, Primária e Secundária. Exclusivamente no ensino público.

Há outras comunidades autónomas em Espanha que também têm a educação bilingue, mas em Castilla-La Mancha existem mais antecedentes. Temos secções bilingues espanho-francesas desde 2002.

O Ministério de Educação e Ciência de Espanha tem convénios com o British Council para estes colégios bilingues, mas em Castilla-La Mancha desde 2005 o número de colégios tem vindo a aumentar.

Começámos com um número reduzido de colégios bilingues, mas actualmente são mais de 160 centros de educação primária e secundária bilingues.

RAE: Como foi a reacção dos professores a essa mudança?

MA: Os professores de língua estrangeira tiveram uma reacção muito positiva.

Os restantes professores viram uma oportunidade de abrir o seu campo educativo. Não se centrando apenas na sua área, mas também para poderem formar-se ainda mais e enriquecerem-se.

RAE: Quantas áreas é que são ensinadas em duas línguas?

MA: Pelo menos duas áreas não linguísticas são bilingues. Em Inglês ou Francês.

As aulas bilingues, ou europeias como dizemos em Castilla-La Mancha, são em Inglês ou Francês.

As disciplinas de Matemática, Ciências, o Conhecimento do Meio Natural e Social, Música, etc, podem ser todas ensinadas também numa língua estrangeira. Pelo menos duas.

RAE: Quais são as principais vantagens do ensino bilingue?

MA: Há muitas vantagens. Não só para os alunos, mas para toda a comunidade educativa.

Em Espanha, o ensino de idiomas está a ter muito mais repercussão actualmente com a União Europeia.

Com todos os projectos educativos europeus, como o  Comenius, o Leonardo da Vinci e o Erasmus, o ensino de idiomas é visto de uma forma muito positiva.

Porque prepara muito melhor os alunos. Do ensino para a infância à idade de adulto, os alunos ficam melhor preparados para uma formação permanente.

As vantagens são numerosas. Tanto profissionalmente, como pessoalmente.

Não ensinamos apenas a gramática e vocabulário de um idioma, mas também a Cultura, a interculturalidade, os afectos e o respeito por outras culturas.

Por isso, são muitas as vantagens. Tanto professores como alunos ficam com uma melhor formação educativa.

A formação bilingue também incrementa as possibilidades profissionais no futuro e os próprios pais dos alunos reconhecem isso.

RAE: O ensino bilingue acontece em que níveis de ensino?

MA: As escolas bilingues são no ensino para a infância, primário e secundário.

Em Espanha, desde os três anos começa o ensino de uma língua estrangeira, que continua na primária e na secundária.

No ensino bilingue há um reforço de muitas mais horas na língua estrangeira.

RAE: Há diferenças visíveis no desenvolvimento cognitivo e na competência linguística, quando comparado com o ensino mais tardio de uma segunda língua?

MA: Totalmente. Quanto mais cedo se começa a aprender uma língua, melhor será a aprendizagem desse idioma.

O nosso sistema cognitivo começa a ficar mais reduzido quando o aluno tem sete ou oito anos, por isso tudo o que adquiriu anteriormente fica para sempre.

As vantagens cognitivas, pessoais e sociais, da educação bilingue são enormes.

RAE: Acha que há a possibilidade de desenvolver um projecto deste género em Portugal?

MA: Para implementar um projecto com estas características em Portugal tem que se contar com o apoio das autoridades educativas, em primeiro lugar.

Também é preciso financiamento para poder avançar com um projecto destes, por isso é preciso apoio do Ministério da Educação e das autarquias.

Seria muito positivo instaurar um programa com estas características não só em Portugal, mas em toda a Europa.

Hoje em dia a educação é bilingue. Não podemos ficar isolados nas nossas aulas, ignorando tudo o que se passa no exterior.

RAE: E o que acha da ideia de se implementar um projecto de ensino bilingue em Óbidos?

MA: Eu acho que em Óbidos existem condições muito favoráveis para isso. Penso que teria muito êxito.

Um dos factores de qualidade e de êxito para este projecto é a força e a motivação dos professores e das autarquias.

Óbidos tem todas as condições para ser um exemplo a nível nacional no ensino bilingue.

RAE: Qual o balanço que faz do seminário sobre o ensino bilingue em Óbidos?

MA: Nós estivemos a falar na possibilidade de Óbidos poder implementar um projecto de ensino bilingue numa das escolas do concelho a partir do próximo ano lectivo.

As autoridades locais vão trabalhar no sentido de que isso seja uma realidade.

Nós vamos continuar a ter um contacto directo no sentido de dar apoio a esse projecto. Esta foi a primeira reunião para o implementar, contando com a nossa experiência em Espanha.

Estamos bastante satisfeitos e entusiasmados de poder participar e ajudar na implementação deste projecto em Óbidos.

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