Entrevista a Dr. Miguel Ángel Milán Arellano
Posted on 17 de Fevereiro de 2010 by admin in Entrevistas, Sem categoria“ÓBIDOS TEM TODAS AS CONDIÇÕES PARA SER UM EXEMPLO NACIONAL NO ENSINO BILINGUE”
Miguel Arellano, especialista em ensino bilingue, esteve em Óbidos a 30 de Janeiro para apresentar as suas experiências das escolas bilingues em Espanha e afirmou que o concelho obidense tem todas as condições necessárias para ser um exemplo nacional no ensino bilingue.
Miguel Ángel Milán Arellano, licenciado em Filologia Inglesa, é professor de carreira de Inglês do ensino secundário em Espanha, mas actualmente dá aulas desta língua no Magistério de Albacete e é assessor linguístico de vários programas europeus (Language and European Programmes Advisor – Centro de Professores de Almansa).
A sua especialidade é o Inglês como língua estrangeira e como segunda língua, tendo trabalhado na área do ensino bilingue em vários países.
RAE: Há quantos anos está implementado o ensino bilingue em Castilla-La Mancha?
Miguel Ángel Milán Arellano: As aulas bilingues estão implementadas em Castilla-La Mancha desde 2005 para a Educação de Infância, Primária e Secundária. Exclusivamente no ensino público.
Há outras comunidades autónomas em Espanha que também têm a educação bilingue, mas em Castilla-La Mancha existem mais antecedentes. Temos secções bilingues espanho-francesas desde 2002.
O Ministério de Educação e Ciência de Espanha tem convénios com o British Council para estes colégios bilingues, mas em Castilla-La Mancha desde 2005 o número de colégios tem vindo a aumentar.
Começámos com um número reduzido de colégios bilingues, mas actualmente são mais de 160 centros de educação primária e secundária bilingues.
RAE: Como foi a reacção dos professores a essa mudança?
MA: Os professores de língua estrangeira tiveram uma reacção muito positiva.
Os restantes professores viram uma oportunidade de abrir o seu campo educativo. Não se centrando apenas na sua área, mas também para poderem formar-se ainda mais e enriquecerem-se.
RAE: Quantas áreas é que são ensinadas em duas línguas?
MA: Pelo menos duas áreas não linguísticas são bilingues. Em Inglês ou Francês.
As aulas bilingues, ou europeias como dizemos em Castilla-La Mancha, são em Inglês ou Francês.
As disciplinas de Matemática, Ciências, o Conhecimento do Meio Natural e Social, Música, etc, podem ser todas ensinadas também numa língua estrangeira. Pelo menos duas.
RAE: Quais são as principais vantagens do ensino bilingue?
MA: Há muitas vantagens. Não só para os alunos, mas para toda a comunidade educativa.
Em Espanha, o ensino de idiomas está a ter muito mais repercussão actualmente com a União Europeia.
Com todos os projectos educativos europeus, como o Comenius, o Leonardo da Vinci e o Erasmus, o ensino de idiomas é visto de uma forma muito positiva.
Porque prepara muito melhor os alunos. Do ensino para a infância à idade de adulto, os alunos ficam melhor preparados para uma formação permanente.
As vantagens são numerosas. Tanto profissionalmente, como pessoalmente.
Não ensinamos apenas a gramática e vocabulário de um idioma, mas também a Cultura, a interculturalidade, os afectos e o respeito por outras culturas.
Por isso, são muitas as vantagens. Tanto professores como alunos ficam com uma melhor formação educativa.
A formação bilingue também incrementa as possibilidades profissionais no futuro e os próprios pais dos alunos reconhecem isso.
RAE: O ensino bilingue acontece em que níveis de ensino?
MA: As escolas bilingues são no ensino para a infância, primário e secundário.
Em Espanha, desde os três anos começa o ensino de uma língua estrangeira, que continua na primária e na secundária.
No ensino bilingue há um reforço de muitas mais horas na língua estrangeira.
RAE: Há diferenças visíveis no desenvolvimento cognitivo e na competência linguística, quando comparado com o ensino mais tardio de uma segunda língua?
MA: Totalmente. Quanto mais cedo se começa a aprender uma língua, melhor será a aprendizagem desse idioma.
O nosso sistema cognitivo começa a ficar mais reduzido quando o aluno tem sete ou oito anos, por isso tudo o que adquiriu anteriormente fica para sempre.
As vantagens cognitivas, pessoais e sociais, da educação bilingue são enormes.
RAE: Acha que há a possibilidade de desenvolver um projecto deste género em Portugal?
MA: Para implementar um projecto com estas características em Portugal tem que se contar com o apoio das autoridades educativas, em primeiro lugar.
Também é preciso financiamento para poder avançar com um projecto destes, por isso é preciso apoio do Ministério da Educação e das autarquias.
Seria muito positivo instaurar um programa com estas características não só em Portugal, mas em toda a Europa.
Hoje em dia a educação é bilingue. Não podemos ficar isolados nas nossas aulas, ignorando tudo o que se passa no exterior.
RAE: E o que acha da ideia de se implementar um projecto de ensino bilingue em Óbidos?
MA: Eu acho que em Óbidos existem condições muito favoráveis para isso. Penso que teria muito êxito.
Um dos factores de qualidade e de êxito para este projecto é a força e a motivação dos professores e das autarquias.
Óbidos tem todas as condições para ser um exemplo a nível nacional no ensino bilingue.
RAE: Qual o balanço que faz do seminário sobre o ensino bilingue em Óbidos?
MA: Nós estivemos a falar na possibilidade de Óbidos poder implementar um projecto de ensino bilingue numa das escolas do concelho a partir do próximo ano lectivo.
As autoridades locais vão trabalhar no sentido de que isso seja uma realidade.
Nós vamos continuar a ter um contacto directo no sentido de dar apoio a esse projecto. Esta foi a primeira reunião para o implementar, contando com a nossa experiência em Espanha.
Estamos bastante satisfeitos e entusiasmados de poder participar e ajudar na implementação deste projecto em Óbidos.





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